About Miguel Neiva

Miguel Neiva, Lisboa, 1970, encontra na fotografia o conforto da causa-efeito. A geometria das linhas orienta o seu ser intrínseco. Persegue a lógica como o orientador universal que tudo liga e encadeia. O seu incómodo surge quando um desvio encontra essas linhas, e o imperativo racional apela. Emerge a ansiedade e causa desequilíbrio no diálogo entre o espaço e o fotógrafo. O abandono do grande para o menor tornam-no enorme aos seus olhos, gerando sentimentos contraditórios e atropelos que conduzem a mente irrequieta que não se contenta nunca. Continuar a questionar é o seu modo de entender o contexto. A descoberta e o desvendar traduzem-se, intimamente, num compreender para que tudo faça sentido. A sua auto-confiança inspiradora, alimenta a força dentro da razão que o anima a pretender dominar aquela causa-efeito. Inspirado subtilmente pelo Barroco, que vê como o pináculo da civilização ocidental, manifesta simultaneamente tensão e respeito em superar a criação original, num contexto seu, intenso de nostalgia, austeridade, equilíbrio e harmonia. A fotografia, sempre analógica, de Miguel Neiva, ultrapassa a imagem, é movimento estático, é vida, estabilidade e sentido.