O último sol/ The Last Sun
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Tarde de quarta feira, depois de gravarmos uma parte do musicalizando na Rodoviária de Pedreiras nos dirigimos para um local um tanto distante do centro, um morro bem alto que fica localizado no bairro Maria Rita. Esse é um lugar incrível, de uma vista única e de um pôr do sol digno de poesia. À medida que subimos a cidade, ela parecia tornar-se pequena até que alcançamos o alto, recepcionados por um sol a se despedir. Estacionamos e demos alguns passos à procura de um bom lugar para gravar, foi então que uma criança me chamou a atenção, mas não uma, muitas, brincando nos montes de terra feitos pelas máquinas que transformam o lugar.

Simplesmente fiquei subitamente encantado pela cena que se desdobrara diante de mim cujas fotografias retratam com fidelidade, um cenário único e ao mesmo tempo perturbador no tocante a indagar: O que de fato é felicidade?

Ao ver a cena delas se jogando terra rapidamente entendi que aquilo precisava ser registrado, o pó se espalhando no ar, os semblantes de alegria e espontaneidade que escodem certamente uma vida marcada pela opressão, estigmas e busca por igualdade.

É simplesmente incrível imaginar que elas se adaptam as possibilidades, provam que pobre rir, pode ser feliz, pode se divertir e não, isso nada tem a ver com ter um tablet ou uma conta no instagram. Já ouvi muitas vezes que pobre não é feliz, não tem cultura ou diversão, na verdade pobre tem que se virar, fazer do riso bala, tem que ser criativo na ausência do Estado.

Decidi dar a essa série o titulo “O último sol” em alusão as inúmeras transformações que o lugar sofre tendo em vista tornar-se espaço para a construção de grandes e caras casas, a vista que é democrática logo será artigo de luxo e privilégio de quem poderá morar ali. Cabe salientar que o entorno já sofre os resultados da desenfreada ação humana, somada a falta de fiscalização e investimentos em infraestrutura por parte do poder público.

Parece ironia, quem já não vê o sol brilhar não poderá vê-lo morrer, o dinheiro não compra tudo, mas compra um pôr do sol!
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Afternoon of Wednesday, after we recorded a part of the musicalizando in the Bus Station of Pedreiras we went to a place a little distant of the center, a very high hill that is located in the district Maria Rita. This is an incredible place, with a unique view and a sunset worthy of poetry. As we climbed the city, it seemed to become small until we reached the top, received by a sun to bid farewell. We parked and took a few steps looking for a good place to record, that's when a child caught my attention, but not one, many, playing on the mounds of earth made by the machines that transform the place.

I was simply suddenly charmed by the scene unfolding before me whose photographs portray with fidelity, a unique and at the same time disturbing scene in which to inquire: What is indeed happiness?

When I saw the scene of them throwing land quickly I understood that it had to be registered, the dust spreading in the air, the countenances of joy and spontaneity that certainly escaped a life marked by oppression, stigma and search for equality.

It's simply amazing to imagine that they adapt to the possibilities, they prove that poor laughing, can be happy, can have fun and no, this has nothing to do with having a tablet or an account in instagram. I have heard many times that poor people are not happy, have no culture or fun, in fact poor people have to turn around, make bullet laughter, have to be creative in the absence of the state.

I decided to give this series the title "The Last Sun" in allusion to the numerous transformations that the place suffers in order to become a space for the construction of large and expensive houses, the view that is democratic will soon be a luxury article and privilege of who can live there. It should be noted that the environment already suffers the results of the unbridled human action, together with the lack of inspection and investments in infrastructure by the public power.

It seems ironic, anyone who does not see the sun shine can not see him die, money does not buy everything, but buys a sunset.