A série discute a questão feminina dentro de um cenário de capitalista selvagem. O trabalho também se pretende como uma metáfora do mundo para o qual não olhamos diretamente, mas sim através de seus reflexos (a fotografia é um deles) e com isso, na maioria das vezes, não nos damos conta de um erro de paralaxe que essa visão nos induz. Com isso ganham aqueles que dominam os códigos hegemônicos da representação, os senhores do sentido no mundo... pode ser um governante, um ditador e sua legião de replicantes.
Não faço arte para o deleite do olhar, minha pretensão é criar imagens que ajudem a um questionamento do eu e do estar no mundo em um momento tão nevrálgico, dolorido e decisivo do planeta. Desejo que minhas imagens movam o observador a algum tipo de ação e posicionamento.
Penso que vivemos um incomodo civilizacional. A figura feminina neste contexto sofre injunções de todos os tipos, todavia, daí também advém sua força.
Portanto, a ideia que permeia a série é a de provocar no observador interessado um certo mal-estar, uma ansiedade, uma angústia, uma sensação dolorosa e inflamada no instante da mirada. Hoje, acredito, não existe a possibilidade de se viver como se o paraíso fosse no aqui e agora – isso só é possível no cartaz de publicidade e mesmo assim os produtos anunciados são para poucos.
Tecnicamente as imagens apresentadas derivam de superposições de imagens realizadas digitalmente. Misturo imagens apropriadas com imagens realizadas por mim.