Soba. Assim é chamado aquele que representa a autoridade regional tradicional em Angola, no sudoeste do continente africano.
Esta é uma tradição que já existe há centenas de anos. Desde antes da chegada dos portugueses ao continente, no século XV, os sobas já exerciam grande autoridade, complementando o poder espiritual do Ngola, líder do Reino do Ndongo (região onde hoje é Angola).
Naquela época, o soba exercia as funções de administrador, juíz, chefe militar, conselheiro, tributador, entre tantas outras. Hoje, muitas destas atribuições mantém-se, especialmente as que se referem à administração da comunidade, à resolução de pequenos conflitos e ao papel de conselheiro.
Nos dias atuais, o soba representa um elo entre o Governo e a comunidade. A sua autoridade é reconhecida e respeitada pelos governantes oficiais desde que ela não entre em conflito com a lei constitucional do País. O seu papel é considerado estratégico pois a sua penetração entre as pessoas é muito poderosa já que o africano é um povo que respeita muito as antigas tradições.
Ainda hoje, para um visitante de uma pequena aldeia, especialmente daquelas mais distantes dos centros urbanos, só será permitida a entrada ou qualquer tipo de aproximação maior aos moradores (o caso de uma simples fotografia) após a autorização do soba local.
A autoridade do soba é tão respeitada e institucionalizada que algumas comunidades, a depender do seu tamanho, têm até mais de um soba. Eles são organizados em conselhos e o chefe de todos é conhecido como Soba Grande. O poder do soba, na maioria das vezes, é hereditário e passa de tio para sobrinho. O filho da irmã, e não o próprio, é garantia do laço sanguíneo e de que a linhagem vai perpetuar-se no poder.