O meu projeto hoje, ele está voltado para a Cura. Venho estudando e observando a nossa sociedade hoje, e a minha geração, e vejo um grandíssimo potencial, porém vejo grandíssimas defasagens. Hoje, vivemos em um mundo onde a informação se tornou algo infinito, onde o conhecimento se tornou algo raso. Não solidificamos nada, ficamos pulando de galho em galho, sem deixar as nossas raízes penetrarem realmente no centro da Terra. Vivemos em uma “obesidade emocional”. Onde desejamos infinitamente, onde vivemos em excesso e frustrações. Onde acabamos desencadeando uma série de doenças, como a depressão.
Neste ensaio, eu apresento as minhas fotografias, com a intenção de nos esvaziarmos. Com a filosofia do Ma (termo japones que significa “espaço entre”), ofereço um momento, um intervalo. Em branco (bordas brancas largas nas fotografias, que significa o Vazio), para deixarmos algo dentro de nós surgir. O branco, é onde nos encontramos, onde o essencial reside. O Vazio é essencial, justamente para que o único foco seja a fotografia em si, e também, para silenciarmos sem interferências externas.
As fotografias apresentadas, são como janelas para o interior. Elas foram retratadas justamente para ampliarmos os nossos níveis de percepção, através da contemplação, da abstração e da livre expressão. Silêncio e presença. São fotografias que mostram movimento e fluidez.
A arte com intuito de cura interior. A arte revela o nosso interior mais íntimo, e o nosso interior é um reflexo do nosso exterior. E se víssemos e nos encantarmos com o belo e atingirmos outro nivel?
E se, com os devidos intervalos, nos contentamos com o que “temos”, e assim, atingirmos o Satori, a iluminação.
A coletânea de fotografias presente nesta publicação evocam movimentos extraordinários da terra, ocultos e imperceptíveis as distrações profanas. O artista percorreu diversas partes do Brasil, onde a profunda misticidade se apresenta em suas ricas atmosferas, com o intuito de metamorfosear essa mais pura sensibilidade em imagens e transcender a graça para além dos olhos de quem contempla cada uma delas.